sábado, 14 de novembro de 2009

MULHERES COM C - 2ª - CAROLINE






Caroline terminou o último cacho com o baby liss e se olhou no espelho, satisfeita. Sacudiu os cabelos, levantou o queixo, simulou uma expressão de "Eu sou demais!" e sorriu. Iria ao shopping encontrar as amigas da escola, sozinha pela primeira vez. Já não era sem tempo: tinha treze anos e jamais andara a pé além de quatro ou cinco quarteirões ao redor de casa. Estava farta do playground, dos primos e dos muros do condomínio. Enfiou o gloss e o celular ("Será que ainda tenho crédito?") na bolsinha rosa e contou o dinheiro: Big Mac, sorvete, cinema ("Lua Nova, finalmente!! Edward, se eu me jogar do Cristo você virá me salvar?"). Beijou o Bebê que brincava no corredor, praticamente chutou o cachorrinho que saltava em suas pernas e passou correndo pela sala: "Mãe, 'tô' indo." ("Rápido, Carolzinha, antes que ela mude de idéia"). Não foi muito longe. No primeiro degrau da estação do metrô, uma bala perdida achou sua bela e cacheada cabecinha.


My life, my soul
my thoughts are my own
I live to die
that's why I was born
kill or be killed
the law of the land
standing tall, I'm not running scared


Human target - Six Feet Under



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