sábado, 1 de agosto de 2009

GENERATIONS

Minha geração não segue mais paradigmas, não possui mais religião, não é atormentada por culpas. Nos classificamos com otimismo como aqueles que estão na metade da vida, somos idealistas somente até onde o coletivo não conflita com nossos sonhos de prazer, não sabemos direito para onde nos dirigimos ou o que estamos construindo, mas para quê saber? Ocupamos nosso espaço na cadeia alimentar do capitalismo, somos adeptos do consumismo irresponsável, cantarolamos em idiomas alienígenas, cultuamos patéticos e efêmeros ídolos, como esponjas absorvendo com voracidade valores, credos e sentimentos superficiais. Tudo é assimilado e expelido velozmente, no ritmo alucinado da era em que a Terra tornou-se a aldeia global. Conhecemos tudo isso, somos informados, informatizados e conscientes, mas não nos importamos mais. Não temos paixões, nem políticas, nem pessoais, não seguramos mais bandeiras, não carregamos mais amores. Sabemos exatamente o tamanho do mundo, e ele é pequeno como uma casa, a nossa casa; e se clamamos por sua preservação, é em autopreservação que pensamos. Às vezes temos medo, e sendo nossos horizontes tão amplos, não temos para onde fugir. Não acreditamos em análise, em espiritualismo, em socialismo; enterramos Freud, Deus e Marx sob a mesma lápide. E eu? Eu nasci no ano em que os homens chegaram à Lua e achavam tolamente que tinham dado um grande passo. Vivi no século passado tempo suficiente para experimentar os últimos resquícios da antiga era: brinquei descalça, fiz primeira comunhão, fui líder estudantil, casei, acordei, ou dormi, não sei... Uma revolução aconteceu na sociedade enquanto eu estive tão ocupada tentando ficar adulta. Elas sempre ocorreram, em todas as épocas, mas acredito haver algo realmente revolucionário agora, que é a velocidade com que tudo se transforma. Por força da necessidade de rápida adaptação à contínua mutação dos valores sociais e morais, as pessoas de minha geração se tornaram fleumáticas e individualistas. Não sou exceção, pois só tenho realmente um grande amor, do tipo que permaneceu sempre igual, descendo das árvores e subindo às estrelas, com todas as mulheres do mundo, que é o meu filho, mas amo pelo instinto de ser mãe, e não cometo nada em nome dele. Quero uma boa vida para o meu filho, mas quero também, e sobretudo, o mesmo para mim. Acho que ele deve traçar seus próprios caminhos, conquistar seus próprios espaços, não quero viver sua vida, nem acumular ou construir em função dele. Só posso esperar que ele esteja carregado de sonhos e armado de coragem para esse mundo lindo e hostil, e que sua geração encontre a fórmula para dosar eficientemente o individualismo selvagem e a solidariedade ingênua - nem cordeiros, nem lobos, somente seres humanos.



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